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Negros
O homem negro reluz
as estrelas chorosas.
Lágrimas cristalinas
de bilhões de anos
por uma pele azul
açoitada por estrelas de dor,
por chibatas de suor.
O homem negro seduz
os olhos das nuvens.
A espuma do ar
veste o dia e a noite
com o manto de lantejoulas
da África fatídica.
Algodão sobre sonhos azuis,
espanta a corja de covardes
com suas chuvas de prata!
Os tambores ruflavam
o rutilo cristalino da mata.
Os negros refletiam
o lustre do rio silencioso,
a selva de palmeiras.
Enclausurados.
Negros, negros! acordem
do estupor de séculos
Cantem para que
a porcelana do norte
trema de medo
ante a força do grito escuro.
Negros, chorem
suas lágrimas de óleo
e, descamisados,
uivem a saudade
da terra, do marfim
e do rio ancestral.
JOÃO BOSCO M. TONUCCI FILHO

